segunda-feira, 26 de março de 2012

Rio Lethes - de Viana a Ponte de Lima

Rio Lethes
" Comandadas por Décios Junos Brutos, as hostes romanas atingiram a margem esquerda do Lima no ano 135 ac. A beleza do lugar as fez julgarem-se perante o lendário rio Lethes, que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse, os soldados negaram-se a atravessá-lo. Então, empunhando o estandarte das águias de Roma o comandante chamou da outra margem a cada soldado pelo seu nome. Assim lhes provou não ser esse o rio do esquecimento."

Esta era uma daquelas ideias bem fixas que já tinha há muito tempo, fazer em Kayak, o percurso de Viana do Castelo até aquela que é para mim uma das mais encantadoras povoações do Minho, Ponte de Lima. Como não conhecia o percurso, fiz alguma investigação sobre o mesmo na "Web". Por imagem aérea pude pressupor que o percurso rondaria os 20 Km para cada lado, não eram visíveis represas ou açudes pelo que arrisquei como realizável para um Kayak de Mar em fibra ou plástico, numa "autonomia" de 1/2 dia.

Assim, no passado 23 de Março de 2012, finalmente arrisquei este percuso num "autonomia a solo", escolhi a zona de Darque para entrada na água o que aconteceu um pouco mais tarde que o desejável, estava a remar para montante do rio por volta das 12h30.
No inicio do percurso pude apreciar a zona de Esteiros da zona de Darque, estes canais foram uma das razões porque escolhi este local para inicio do percurso, podendo dessa forma "perder-me" no meio desses canais, com risco dos mesmos não terem saída devido à Baixa-Mar. Entretanto a cada remada dava de caras com Garças, Patos, Corvos-marinhos e claro Gaivotas entre tantas outras aves. Subindo o rio nota-se que o mesmo é bastante largo em algumas partes na zona da foz, surgem troços com rectas a perder de vista, um pouco aborrecidas se não fosse as margens irem ocasionalmente proporcionando um ou outro solar Minhoto dignos de serem apreciados. Passados 3 a 4 Km surge-nos do lado esquerdo do rio a imagem da fábrica de pasta de papel da Portucel, estas fábricas que costumam estar localizadas junto a grandes cursos de água, são igualmente conhecidas pelo incomodativo cheiro que frequentemente emitem, felizmente este não foi o caso. Após cerca de 10 Km de percurso a montante, cruza-se a ponte de S. Cristovão em Lanhezes, aqui foi o local para reabastecimento... (papinha portantos), após curta pausa prossegui a subida, a partir daqui o rio começa lentamente a estreitar em largura, e a aumentar em interesse e beleza, a cerca de uns 5 Km do destino passa-se inclusive a avistar o fundo do rio com profundidades reduzidas, passa-se igualmente a poder observar a flora do rio, que proporcionou a possibilidade de atestar que toda a subida e posterior descida foram feitas com a "ajuda" das correntes da enchente e da vazante, para isso bastava observar a inclinação das plantas sub-aquáticas. E por fim, já razoavelmente cansado avistei por fim o único obstáculo ao desembarque em pleno centro de Ponte de Lima. trata-se de um açude que se encontra a apenas uns meros 300 mt do centro da Vila. Carregando o "navio" ás costas era possível transpor o mesmo no entanto pareceu mais razoável preparar o regresso... afinal havia ainda a remar outros tantos 20 Km!!! A descida de regresso da "volta de elástico" foi feita a um ritmo ligeiramente mais rápido, afinal a descer todos os santos ajudam, a corrente do rio, a maré vazante e a vontade de chegar também...

Em suma e para quem pretenda algum dia fazer este percurso, aconselho se possível a efectuarem apenas o percurso de Viana do Castelo a Ponte de Lima, e já são cerca de 20 Km, e depois de lá chegados... vão ao Sarrabulho!!!
Para este percurso precisei em ritmo de passeio de cerca de 6,5 horas, aconselho quem pretenda efectuar o mesmo a conciliar as marés. E de resto e em jeito de conclusão, valeu, e agora no Lima começa a ser esboçado o percurso de Ponte de Lima até Ponte da Barca +/- 15 Km com alguns açudes e calculo ainda mais beleza.

Nota final: Este percurso serviu também para a estreia em pequena autonomia da minha "nova" aquisição, trata-se de um K1 "plasticão" que veio juntar-se à frota, e que parece-me que fica desde já bem baptizado de "vermelhão" :)   

sábado, 10 de dezembro de 2011

Album de "estórias" - Madeira 2010 - Levadas

vertente norte ilha
A Madeira representa para mim uma pérola no meio do atlântico, tal é o fascínio que esta ilha me provoca. Vale sobretudo para mim, que aprecio fortemente os encantos que a montanha proporciona, pelas fantásticas caminhadas em contacto directo com uma fauna e flora singulares, ás quais ainda se juntam uma geologia de cortar a respiração. 



Ir à Madeira sem passear numa nova Levada é para mim como ir a Roma e não ir ao Vaticano. As Levadas, obra-prima do esforço e engenho humanos, tal como o nome sugere, "leva" água de onde ela abunda, a vertente norte da ilha, para onde faz mais falta por não ser tão abundante, a vertente sul. Estimam-se em cerca de 2000 Km de canais e cerca de 50Km de túneis. As Levadas seguem, com suaves desníveis, pelas vertentes das montanhas muitas vezes escarpadas, por vezes recorrendo a túneis para vencer uma ou outra escarpa mais difícil, conduzindo a água para os terrenos agrícolas a sul. Proporcionam ao caminhante uma oportunidade única de se embrenhar na floresta Laurissilva - Património Mundial da UNESCO (título atribuido em 1999), dela retirando muito do que esta tem para oferecer em beleza e com um impacto mínimo sobre a mesma pelo facto dos percursos serem feitos pelas "esplanadas" das Levadas.
Caldeirão Verde - túnel
Para quem pretenda um dia experimentar um passeio numa Levada devem ter em consideração as seguintes dicas;
  • Pequena Mochila
  • Roupa - devem ser portadores de roupa ligeira para calor, mas também de roupa mais quente e impermeável/corta-vento, pois as condições atmosféricas alteram-se com grande rapidez.
  • Calçado confortável - algumas levadas podem apresentar um solo mais pedregoso e escorregadio 
  • Lanterna - indispensável para percorrer os vários túneis que em vários casos representam no seu interior devido ao breu absoluto, a probabilidade forte de lesão por contacto com tecto dos mesmos
  • Água e comida para cerca de 6 horas de percurso no mínimo
  • Telemóvel ou rádio
  • Avisar alguém do percurso a realizar e hora prevista de regresso
  • Em caso de dificuldade nunca abandonar o canal da Levada
  • Máquina fotográfica - para mais tarde recordar
Levadas aconselhadas:
Caldeirão Verde
  • Caldeirão Verde
  • 25 Fontes
  • Rabaçal
  • Ribeiro Frio - Portela


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Maratona de Beirute 2011

Existem oportunidades ao longo da vida que ou se agarram quando surgem ou podemos passar o resto do tempo a lamentar-mo-nos por não as termos agarrado. 

Em tempos ocorreu-me tentar aproveitar a oportunidade de me encontrar no Líbano para participar na Maratona de Beirute de 2011. E porquê? Porque sou Maratonista? Não, nem nunca havia até à data sequer alinhado numa 1/2 Maratona. Então porquê? Simples, porque lá está a oportunidade afigurou-se e a ideia de participar numa corrida de 42Km numa cidade tão emblemática e ao mesmo tempo misteriosa como Beirute, me despertou os sentidos. Assim eis que este corredor ocasional de pequenas corridas de mero Jogging de manutenção, sem ter podido efectuar um treino minimamente digno de o poder ser considerado (não fiz uma única corrida de preparação superior a 1h ou a 15 Km), afectado por uma misteriosa e nunca antes revelada lesão nos joelhos (em particular no direito), alinha no passado dia 27 de Novembro 2011 à partida para os 42,195Km da maratona de Beirute.
O que restou? Restou que querer é poder, restou um tempo de prova de 4h48m, e restou uma prova de sacrifício provocado pelas violentas cãibras com que os músculos das minhas pernas me brindaram desde o km 24 e até à linha da meta... mas restou acima de tudo uma enorme satisfação por um projecto que parecia condenado à partida ter tido afinal um final feliz.

Em jeito de conclusão, aplica-se aqui um lema que me foi ensinado há já muito tempo, "só vence, quem acredita na vitória"

Nota curiosa: Ainda que tenha participado inserido na equipa da Unifil juntamente com mais sete Portugueses, era o único a alinhar na prova dos 42Km, pelo que se previa uma corrida de poucas conversas... no entanto eis que alguém, sensivelmente ao Km 15 me pergunta "você é Português?". O que se seguiu foram praticamente os restantes Km de prova em amena cavaqueira acompanhados da Domitilia uma Portuguesa radicada nos EUA, Maratonista por convicção com largas dezenas de provas já realizadas. Um abraço amigo Domitilia e que continue a correr!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Album de "estórias" - 2009 Alpes - La Rosiére

Estas são assumidamente duas das minhas grandes paixões... A Neve... e A Montanha...
Adoro calor, o Sol, a praia, mas uma ida ao Ski ou Esqui em Português, tem sempre magia para mim. Portugal conta com grande pena minha, com apenas uma estância de esqui, a da Serra da Estrela explorada pela empresa "Turistrela". É uma estância que ainda que esteja localizada a uma altura considerável, cerca de 1900 metros, conta com escassas meia dúzia de pistas e dentro destas raramente estão abertas ao público mais que três ou quatro pistas de categoria " azul " mas com muito pequena extensão. Um facto que deriva do reduzido investimento da concessionária, em parte em função da reduzida " temporada de neve ", e também da escassa concorrência uma vez que sempre que as condições existem não faltam mesmo é utilizadores.... por 1/2 dúzia de metros esquiáveis.
Sempre tive um fascínio por neve pelo que depois de um convite de um primo radicado em França, fui uma 1ª vez aos Alpes a uma Estância (digna de letra grande), La Plagne.
Com centenas de Km esquiáveis em todas as vertentes possíveis e imaginárias e com um domínio esquiável que vai dos 1800 metros aos + de 3000 metros, La Plagne foi " a revelação " para mim que até à data apenas conhecia a Serra da Estrela.
Com estadia marcada para uma semana importava aproveitar, pelo que, tomadas em bastante conta as doutas lições de esqui do " Professor " Armand, após uma dezena de descidas numa " verdinha " pista colada ao hotel,aventuramo-nos a subir nos teleféricos para outros voos. Eram as " azulinhas " que se seguiam , e que grandes calafrios provocaram, que o diga a Paula que ainda nos dias de hoje tem um joelho que lhe recorda essas primeiras esquiadelas...
O que é certo é que ao final da semana, um caloiro como eu já atacava com determinação e principalmente gosto azuis e vermelhas, deixando apenas nesta primeira temporada de Alpes, as pretas de lado por... consideração!
Voltamos um segundo ano a La Plagne a confirmar a excelência da estação, dessa vez já nem as pretas se escaparam aos meus esquis...
Á terceira experiência de Alpes, desta vez em 2009, conhecemos La Rosiére, outro mundo para os amantes do esqui, são quilómetros e quilómetros de pistas nos Alpes a cruzar inclusive a fronteira Alpina entre a  França e Itália. São desta viagem as imagens que podem ser vistas no Link abaixo indicado.

Abraço...
Alpes - La Rosiére 2009 

Ecce Homo - Eis o Homem

Este "cybercantinho" vai espelhar a parte lúdica do quotidiano de um vulgar "Europeu Ocidental", Português por sinal :) , Europeu por vocação, Cidadão do Mundo por convicção!

Amante de viagens, o Nirvana seria idealmente poder conhecer 95% do Mundo, e isto porque ainda existem lugares deste pedaço de Universo que por razões diversas, são ou estão, de momento desinteressantes.


Naturalmente como a maioria dos mortais estou limitado em tempo, e claro que já sabemos que tempo é dinheiro, razão pela qual o ritmo e âmbito de actividades não corresponde ao que definiria como ideal... enfim, contingências.

O Blog foi oficialmente criado em 2011, no entanto serão postadas actividades anteriores a esta data pelo conteúdo das mesmas.

E que comece a aventura, antes que a mesma acabe eh eh....