segunda-feira, 29 de julho de 2013

Escapadinha – Douro Internacional em Kayak



Aproveitando um tempinho livre fui conhecer um dos poucos cantos de Portugal Continental que ainda me faltava conhecer, a região do PNDI – Parque Nacional do Douro Internacional. Tal como o nome sugere corresponde genéricamente à região envolvente ao troço do Douro que serve de fronteira entre os dois países ibéricos, sensivelmente de Miranda do Douro a Barca d`Alva onde se despede de Espanha em direcção ao Mar.

A ideia foi fazer o máximo de kayak nas várias barragems existentes em regime de semi-autonomia. O tempo disponibilizado, 3 dias, não permite de todo conhecer tudo o que havia a conhecer daí que foi necessário fazer escolhas. Descrevo em seguida os percursos efectuados classificando-os de 1 a 5 em 04 pârametros:

Dia 1 - Albufeira de Miranda do Douro partida (montante) e chegada do cais fluvial de Miranda +/- 20 Km.


Paisagem - 4

Acesso ao rio - 5

Interesse percurso - 4

Facilidades (Churrasco, àgua, etc) - 5


Observações: Recomendo este percurso pela envolvente cénica. Seguindo em direcção à barragem espanhola de Castro encontrei uma pequena “acelaração” impossível de transpôr tendo regressado nesse ponto. O cais de Miranda tem um chuveiro de acesso gratuito para um rápido banho após o passeio.

Dia 2 - Albufeira de Bemposta partida (montante) e chegada do cais fluvial de Sendim +/- 25 Km.


Paisagem  - 5

Acesso ao rio - 4

Interesse percurso - 5

Facilidades (Churrasco, àgua, etc) - 5


Observações: Recomendo este percurso, paisagem fantástica, é possivel abeirar- se do paredão da barragem de Picote. Tem um bom local para descanso no acesso ao rio da Freguesia de Picote.


Dia 3 - Albufeira de Aldea d` Ávilla  partida (montante) e chegada do cais fluvial de Peredo da Bemposta +/- 5 Km.


Paisagem  - 4

Acesso ao rio - 3

Interesse percurso - 5

Facilidades (Churrasco, àgua, etc) - 4


Observações: Este é um percurso em que apostei mas que não foi possível desfrutar como planeei devido à cota reduzida em que se encontrava a barragem de Aldea d`Ávilla, o que implicou que no local de acesso ao rio encontrasse o rio com o caudal em “estado virgem” ou seja correntes, remoinhos enfim apenas foi possível percorrer uns 5km de rio, ficou gorada a ideia de ir espreitar o rio Tormes... Local de acesso ao rio algo dificil de atingir mas que é um pequeno pedaço de céu!


Dia 3 - Albufeira de Saucelle partida (montante) e chegada do cais fluvial de Lagoaça +/- 5 Km.


Paisagem  - 3

Acesso ao rio - 5

Interesse percurso - 3

Facilidades (Churrasco, àgua, etc) - 3


Observações: Bom acesso ao rio. Para montante apenas é possível fazer 500mt até encontrar um aviso de limite de navegação devido à proximidade dos descarregadores de Aldea d`Ávilla. Para jusante é possível seguir por exemplo até ao cais fluvial de Mazouco (percurso não efectuado).


Notas finais:

O Douro foi em tempos um rio intempestivo, traiçoeiro , pouco dado à navegação em geral. Entretanto, com a construção das várias barragens ao longo da sua bacia hidrográfica, diz-se hoje que está “domesticado”, no entanto isso não quer dizer necessáriamente inofensivo pois hoje os perigos podem vir das fortes variações de caudal impostas pelas várias barragens. Eu assisti a variações em altura de àgua de quase 2mt num espaço de poucas horas, fortes correntes, remoinhos, etc, pelo que quem queira conhecer este pedaço de céu não deve nunca subestimar o rio e/ou barragem, por muito calma que aparente.

O parque (PNDI), é composto por todo um eco-sistema que tem de ser preservado, mas que também é feito de pessoas. O turismo qualquer que ele seja é necessário e mesmo vital, as gentes transmontanas sabem receber como é sabido. Acho fundamental no entanto que cada um tenha bem presente que deve causar o minimo de impacto ao meio ambiente durante a estadia. Enfim desfrutar sem prejudicar!





Boas pagaiadas!!!




sábado, 1 de junho de 2013

Rio Tua – Antes da albufeira



Antes ainda de a água começar a ser represada pela barragem do Tua o http://www.curteavida.com (des)organizou uma ida ao Tua. Esta terá sido a última oportunidade de fazer um troço (parte final) em estado virgem, pois vai ser submerso pela albufeira à sua máxima cota. O Passeio decorreu em Maio de 2013 uma excelente altura para passear na região pois nem se encontra muito calor nem o contrário.
 Entramos no rio junto à localidade do Cachão (Mirandela), seguimos ao sabor da corrente apreciando as margens cobertas de espessa vegetação e escarpas bastante propícias à fotografia. O destino foi a localidade do Abreiro (Mirandela), concretamente a desactivada estação da linha do Tua (CP). Ao longo do percurso transpusemos alguns açudes e um ou outro rápido a exigir alguma aplicação de dotes de águas bravas, mas sendo todos os obstáculos acessíveis com excepção de um rápido imediatamente antes do Abreiro, esse a requerer alguma cautela ou “porteamento”. Atenção que um ou outro açude pode fazer algum refluxo de água pelo que devem ser bem observados antes de se avançar para a sua transposição.
No Abreiro montou-se o “Camping” preparou-se a comidinha devidamente regada por um belo tinto e algumas jolasJ. Em seguida fomos ao Bar http://cafeviario.blogspot.pt/ onde pudemos apreciar além de uma hospitalidade só possível em trás-os-montes, de uma extensa colecção de cervejas nacionais e internacionais. A não perder, mesmJ
No dia seguinte novamente no rio, partimos do Abreiro em direcção ao Amieiro (Alijó), o percurso na sua segunda metade apresenta já alguns rápidos um pouco mais trabalhosos, acessíveis no entanto a um nível intermédio de praticante. Novamente se recomenda que na dúvida se pare para analisar primeiro o obstáculo antes de se avançar para o mesmo.
Terminada que estava a fase rio, restou regressar ao café via rio no Abreiro para um saboroso lanche final composto por umas saborosas alheiras caseiras bem típicas da região.
Notar que o passeio foi efectuado em kayak`s de águas e bravas e SOT sendo que as passagens mais complicadas devem ser evitadas pelos SOT.
A quem pretenda conhecer esta bela região, bom passeio!!! J

Autonomia de dois dias em Kayak – Alto Douro Vinhateiro



Nos dias 9 e 10 de Março tive o privilégio de integrar mais uma saída (des)organizada pelo www.curteavida.com desta vez o cenário escolhido foi o Douro superior entre as localidades do Pocinho e da Ferradosa. No primeiro dia saímos pelas 09h30 de uma pequena praia fluvial com bons acessos para carro, localizada a cerca de 300mt da estação ferroviária do Pocinho. Logo após uma curta distância alcançamos a foz do rio Sabor, onde num agradável jardim dotado de excelentes condições, fizemos uma pequena pausa para retemperar forças e estômagos. Retomado o rio, seguimos novamente em direcção a jusante, aproveitando para contemplar a magnífica paisagem das encostas do Douro, que, vistas do rio e particularmente de Kayak, assumem uma grandiosidade difícil de quantificar. A paisagem vai alternando entre os famosos vinhedos dourienses e áreas de cultivo com laranjais, oliveira, e amêndoa a marcarem forte presença. Avista-se regularmente rebanhos ora de caprinos ora de ovinos bem guardados por cães pastor.
Ao fim de cerca de 20 Km de descontraída remada escolhemos um local para pernoitar junto a uma ponte ferroviária da ainda sobrevivente Linha do Douro, algures perto de Freixo de Numão. Aí montamos tendas e aí para jantar foi preparada uma bela caldeirada de peixe antecedida por uns apetitosos camarões, tudo bem regado por uns agradáveis vinhos e cervejas. Água não, que o Douro já tinha muita eh eh J
Na manhã de Domingo, levantamos o acampamento e pelas 09h30 prosseguimos rio abaixo até ao local previsto para final da pequena expedição, a antiga estação ferroviária da Ferradosa. Pelo caminho, tempo para pôr a conversa


em dia, tirar mais umas fotos em cenários de excepção, apreciar as várias e esplendorosas quintas vinhateiras localizadas junto ao rio, apreciar também as belíssimas estações ferroviárias da Linha do Douro.
Chegados à Ferradosa pelas 14h00, fizemos uma merecida pausa para almoço com as sobras que cada qual havia transportado. Foi também a oportunidade de apreciar a antiga estação ferroviária da Ferradosa (desactivada em função de uma alteração de traçado da linha efectuada em meados de 1980 provocado pela construção da barragem da valeira alta). Terminada a breve refeição, faltava a cereja em cima do bolo, o cachão da valeira, localizado a cerca de 1,5Km a jusante da Ferradosa, antes da última curva que antecede o avistamento do paredão da barragem da valeira alta, trata-se de um troço que representou até 1791 o limite superior navegável do rio Douro por apresentar até essa data um obstáculo natural à navegação constituído por uma cascata (eliminada após 11 anos de trabalhos no reinado de D. Maria I). Actualmente o local é navegável, apresenta no entanto um estreitamento do rio confinado em ambas as margens por escarpas graníticas que se erguem a dezenas de metros de altura. O local mantém-se perigoso pela possibilidade de ocorrência de fortes ventos como foi o caso aquando da nossa visita. Lá se pode avistar uma curiosa inscrição na parede granítica a assinalar a conclusão dos trabalhos de navegabilidade do cachão da valeira.
Retornados à Ferradosa, foi altura de arrumar o material para o regresso a casa.
Esta pequena autonomia foi efectuada em Kayak`s de Mar, transportando nos mesmos todo o equipamento necessário a uma permanência em autonomia durante os dias de Sábado e Domingo. Um passeio que se recomenda!
Fica a vontade de conhecer ainda mais do rio Douro J

O maravilhoso reino de Marrocos



Esta era uma daquelas oportunidades que ou se agarram quando surgem ou se pode ficar a lamentar por demasiado tempo o não ter feito.

O CCABP http://www.aguasbravas.net/ organizou em Março de 2013 mais uma expedição em Kayak e Raft a Marrocos. O programa previa ao longo de uma semana a passagem por vários locais emblemáticos como sejam Tânger, Chefchouen, Azrou, Tillougit, Cathedral Rocheuse, Marrakech, etc. e também por alguns emblemáticos rios como sejam o Oum Er-Rbia, Ahenesal, Asif Melloul, etc.

Após a partida de Portugal dirigimo-nos ao Ferry que nos garantiu a travessia do estreito de Gibraltar, de Tarifa(SP) para Tangêr(Mar). Após entrar em Marrocos e cumpridas as demoradas formalidades aduaneiras, seguimos em direcção à cidade azul, Chefchouen, onde jantamos e pernoitamos. No dia seguinte seguimos em direcção às nascentes do Rbia evitando a passagem pela floresta dos cedros como previsto devido à presença de um espesso manto de neve. Chegados às nascentes do Rbia, foi tempo para um obrigatório chá de menta nas típicas construções localizadas junto à água. O rio, esse teve de ser cancelado devido ao forte caudal, fruto da muita chuva que se abatia na região. Assim, foi decidido prosseguir até à Cathedral Rocheuse (Atlas) localizada junto à localidade de Tillougit para aí estabelecermos um “acampamento base” junto ao rio Ahenesal.

A estreia na água coube naturalmente ao Ahenesal. Fizemos o percurso do “Camping” até Tillougit. O rio apresentava um bom volume de água, mais uma vez fruto da muita àgua e neve que havia caído. É um troço muito interessante de se fazer, adequado a Kayak águas bravas e Raft, devido ao elevado desnível a velocidade é constante e a diversão garantida.

Houve também a oportunidade de conhecer o troço final do Asif Melloul e as suas fantásticas gargantas. Um rio a exigir um pouco mais de técnica.

A envolvente ao “acampamento base” apresentava um cenário único, dominado pelos vários cumes envolventes do Atlas, aldeias berberes, população amistosa, e a Cathedral Rocheuse, um imponente maciço rochoso em cujo topo se atinge os 1883 metros de altura. Existe um trilho que parte junto ao “Camping” e que se dirige ao topo onde ao fim de cerca de 2h de caminhada se avista um cenário de cortar a respiração. Naturalmente que não perdemos a oportunidade de conhecer.

Uma visita a Marrocos não podia deixar de incluir uma visita à mítica cidade que inspirou o nome do País. Marrakech recebeu-nos ao fim da tarde com música tradicional africana e uma explosão de vida, cor, aromas e confusão claro, e tudo isto na principal praça da cidade onde tudo e todos confluem ao final de cada dia para conviver, comerciar, comer…. Marrakech merece seguramente uma visita. Um dia deverá ser suficiente para perceber a capital cultural de Marrocos.

Após Marrakech foi muita estrada de volta à Europa e a Portugal em particular não sem ficar com a sensação de que muito ficou ainda por ver neste País vizinho.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Kayak Caminha – Vila de Mouros - Rio Coura


Vilar de Mouros sem conseguir explicar completamente porquê tem uma considerável carga “mística”, pelo que a possibilidade de visitar essa bela localidade Minhota afigura-se sempre interessante.

No dia 9 de Fevereiro de 2013 tive mais uma vez o prazer de percorrer em Kayak a distância que separa a foz do rio Coura (Caminha) até Vilar de Mouros. O percurso foi realizado no âmbito de mais uma (des)organização do www.curteavida.com com saída pelas 13h00 de Caminha, junto à ponte ferroviária sobre o rio Coura em direcção a montante. Pudemos contar com a maré quase no seu pico mais alto o que facilita sempre o andamento. O percurso na sua fase inicial corresponde ao típico ambiente de estuário com o típico “capim” onde a típica fauna nos observa, patos, garças e uma ou outra ave de rapina. Após a fase inicial o rio começa a assumir um perfil mais natural para um pequeno rio Minhoto como é o caso, largura a rondar os 8/10 metros, com forte vegetação de um verde profundo a ladear ambas as margens, o loureiro é presença constante, aparecendo uma ou duas zonas que poderão apresentar alguma dificuldade de transposição, quer pela possível presença de árvores caídas ou pela necessidade de “portajar” (sair do Kayak e percorrer a pé), em virtude da  eventual escassez de água. A água é límpida, vê-se constantemente o fundo pelo que pode-se ir observando as várias espécies de peixe aí existentes. Ao fim de cerca de 1h30 chega-se a Vilar de Mouros, a chegada é assinalada pela ponte em granito que garante a travessia do Coura. Em caso de pouca água será necessário “portajar” um pequeno açude a montante da ponte, mas neste caso foi possível continuar por cerca de mais 500 metros até ao açude da azenha de Vilar de Mouros, onde demos por concluída a subida deste magnifico rio (era possível continuar “portajando” o açude, que fica para uma próxima).

Como a cada passeio corresponde sempre o momento de “conbibio” retornamos à ponte para uma merecida paragem para café e mini no centro de Vilar de Mouros.

O regresso foi feito com a agradável ajuda da corrente vazante do rio pelo que o percurso terá durado metade do tempo levado na subida e ainda com tempo de sobra para “manobras” com prática voluntária ou não de esquimotagens bem sucedidas ou nem por isso, a chamada “banhoca” J

Em Caminha, altura para arrumar o material depois de mais um dia www.curteavida.com

Em jeito de considerações finais, de notar que os kayaks usados foram todos kayak`s de Mar K1 que se adaptam perfeitamente a este percurso tratando-se de canoistas com um mínimo de experiência. Para “rookies” talvez seja mais aconselhável o SOT.


A quem resolva experimentar o percurso que recomendo vivamente, desejo bom passeio!!! J

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

E o Mar aqui tão perto...

Pois é este último fim de semana comecei a usufruir da sorte de morar a cerca de 400 metros do mar, e ainda por cima com um discreto acesso à praia. Ora aqui há uns tempos atrás adquiri um pequeno carro de transporte de kayak`s que experimentei recentemente, duas vezes, para transportar um SOT (Sit on Top) para a praia. Como a experiência com o SOT correu bem, este fim de semana foi a vez do "plasticão" avançar pelo mesmo método para o mar, e em boa hora me decidi a fazê-lo...
O "plasticão" foi "estreado" no Atlântico. Aproveitando um "mar chão", dei uma voltinha ao longo da costa desde a praia de Árvore, Mindelo e Vila do Conde. 
O kayak demonstrou ser utilizável no mar, com uma boa estabilidade e inclusive uma velocidade aceitável atendendo ao comprimento do bicho. De negativo apenas o facto de os poços não se terem revelado 100% estanques, alguma fragilidade de construção em mar mais revolto e, os puristas que me perdoem, a falta de um bom leme, que não inviabiliza uma ida ao mar mas cuja falta se nota.
Em conclusão, a repetir!!!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Arrábida 2012 - Setúbal/Sesimbra

Um pequeno pedaço de céu na terra.

Acho que a anterior frase define a Serra da Arrábida. Lá encontramos água límpida, praias lindíssimas, algumas de acesso praticamente impossível por terra. 
Reuniu-se um fantástico grupo em Kayak de Mar para remar em autonomia ao longo da costa da Arrábida. Partindo do Outão em Setúbal, seguimos a costa em direcção a Sesimbra passando pelas praias da Figueirinha, Portinho da Arrábida entre outras cujo nome desconheço. Após cerca de 20 Km de um Mar muito propicio a um calmo passeio em Kayak, chegamos à praia de Sesimbra onde fizemos a necessária paragem técnica para "os comes". Após um merecido café, isto após uma "mitrica" viagem de cerca de seis horas desde o Norte até Setúbal, onde descanso não faz parte dos serviços a bordo, lá seguimos mar adentro até ao local escolhido para "bivacar" a linda praia da Ribª do Cavalo, onde se realizou um fantástico churrasco e não menos importante uma apetitosa queimada!
No dia seguinte optou-se com alguma pena minha por encurtar a expedição em Sesimbra de onde partimos em busca do famoso choco frito de Setúbal.


Sobrou, excelente companhia, um Mar com muito mais para dar, faltou conhecer as costas de Tróia, os baixios do Sado, o Cabo Espichel, e muito mais que terá de ficar para outra oportunidade.

Fotos: Dan_ + Óscar
Video: Óscar

segunda-feira, 26 de março de 2012

Rio Lethes - de Viana a Ponte de Lima

Rio Lethes
" Comandadas por Décios Junos Brutos, as hostes romanas atingiram a margem esquerda do Lima no ano 135 ac. A beleza do lugar as fez julgarem-se perante o lendário rio Lethes, que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse, os soldados negaram-se a atravessá-lo. Então, empunhando o estandarte das águias de Roma o comandante chamou da outra margem a cada soldado pelo seu nome. Assim lhes provou não ser esse o rio do esquecimento."

Esta era uma daquelas ideias bem fixas que já tinha há muito tempo, fazer em Kayak, o percurso de Viana do Castelo até aquela que é para mim uma das mais encantadoras povoações do Minho, Ponte de Lima. Como não conhecia o percurso, fiz alguma investigação sobre o mesmo na "Web". Por imagem aérea pude pressupor que o percurso rondaria os 20 Km para cada lado, não eram visíveis represas ou açudes pelo que arrisquei como realizável para um Kayak de Mar em fibra ou plástico, numa "autonomia" de 1/2 dia.

Assim, no passado 23 de Março de 2012, finalmente arrisquei este percuso num "autonomia a solo", escolhi a zona de Darque para entrada na água o que aconteceu um pouco mais tarde que o desejável, estava a remar para montante do rio por volta das 12h30.
No inicio do percurso pude apreciar a zona de Esteiros da zona de Darque, estes canais foram uma das razões porque escolhi este local para inicio do percurso, podendo dessa forma "perder-me" no meio desses canais, com risco dos mesmos não terem saída devido à Baixa-Mar. Entretanto a cada remada dava de caras com Garças, Patos, Corvos-marinhos e claro Gaivotas entre tantas outras aves. Subindo o rio nota-se que o mesmo é bastante largo em algumas partes na zona da foz, surgem troços com rectas a perder de vista, um pouco aborrecidas se não fosse as margens irem ocasionalmente proporcionando um ou outro solar Minhoto dignos de serem apreciados. Passados 3 a 4 Km surge-nos do lado esquerdo do rio a imagem da fábrica de pasta de papel da Portucel, estas fábricas que costumam estar localizadas junto a grandes cursos de água, são igualmente conhecidas pelo incomodativo cheiro que frequentemente emitem, felizmente este não foi o caso. Após cerca de 10 Km de percurso a montante, cruza-se a ponte de S. Cristovão em Lanhezes, aqui foi o local para reabastecimento... (papinha portantos), após curta pausa prossegui a subida, a partir daqui o rio começa lentamente a estreitar em largura, e a aumentar em interesse e beleza, a cerca de uns 5 Km do destino passa-se inclusive a avistar o fundo do rio com profundidades reduzidas, passa-se igualmente a poder observar a flora do rio, que proporcionou a possibilidade de atestar que toda a subida e posterior descida foram feitas com a "ajuda" das correntes da enchente e da vazante, para isso bastava observar a inclinação das plantas sub-aquáticas. E por fim, já razoavelmente cansado avistei por fim o único obstáculo ao desembarque em pleno centro de Ponte de Lima. trata-se de um açude que se encontra a apenas uns meros 300 mt do centro da Vila. Carregando o "navio" ás costas era possível transpor o mesmo no entanto pareceu mais razoável preparar o regresso... afinal havia ainda a remar outros tantos 20 Km!!! A descida de regresso da "volta de elástico" foi feita a um ritmo ligeiramente mais rápido, afinal a descer todos os santos ajudam, a corrente do rio, a maré vazante e a vontade de chegar também...

Em suma e para quem pretenda algum dia fazer este percurso, aconselho se possível a efectuarem apenas o percurso de Viana do Castelo a Ponte de Lima, e já são cerca de 20 Km, e depois de lá chegados... vão ao Sarrabulho!!!
Para este percurso precisei em ritmo de passeio de cerca de 6,5 horas, aconselho quem pretenda efectuar o mesmo a conciliar as marés. E de resto e em jeito de conclusão, valeu, e agora no Lima começa a ser esboçado o percurso de Ponte de Lima até Ponte da Barca +/- 15 Km com alguns açudes e calculo ainda mais beleza.

Nota final: Este percurso serviu também para a estreia em pequena autonomia da minha "nova" aquisição, trata-se de um K1 "plasticão" que veio juntar-se à frota, e que parece-me que fica desde já bem baptizado de "vermelhão" :)   

sábado, 10 de dezembro de 2011

Album de "estórias" - Madeira 2010 - Levadas

vertente norte ilha
A Madeira representa para mim uma pérola no meio do atlântico, tal é o fascínio que esta ilha me provoca. Vale sobretudo para mim, que aprecio fortemente os encantos que a montanha proporciona, pelas fantásticas caminhadas em contacto directo com uma fauna e flora singulares, ás quais ainda se juntam uma geologia de cortar a respiração. 



Ir à Madeira sem passear numa nova Levada é para mim como ir a Roma e não ir ao Vaticano. As Levadas, obra-prima do esforço e engenho humanos, tal como o nome sugere, "leva" água de onde ela abunda, a vertente norte da ilha, para onde faz mais falta por não ser tão abundante, a vertente sul. Estimam-se em cerca de 2000 Km de canais e cerca de 50Km de túneis. As Levadas seguem, com suaves desníveis, pelas vertentes das montanhas muitas vezes escarpadas, por vezes recorrendo a túneis para vencer uma ou outra escarpa mais difícil, conduzindo a água para os terrenos agrícolas a sul. Proporcionam ao caminhante uma oportunidade única de se embrenhar na floresta Laurissilva - Património Mundial da UNESCO (título atribuido em 1999), dela retirando muito do que esta tem para oferecer em beleza e com um impacto mínimo sobre a mesma pelo facto dos percursos serem feitos pelas "esplanadas" das Levadas.
Caldeirão Verde - túnel
Para quem pretenda um dia experimentar um passeio numa Levada devem ter em consideração as seguintes dicas;
  • Pequena Mochila
  • Roupa - devem ser portadores de roupa ligeira para calor, mas também de roupa mais quente e impermeável/corta-vento, pois as condições atmosféricas alteram-se com grande rapidez.
  • Calçado confortável - algumas levadas podem apresentar um solo mais pedregoso e escorregadio 
  • Lanterna - indispensável para percorrer os vários túneis que em vários casos representam no seu interior devido ao breu absoluto, a probabilidade forte de lesão por contacto com tecto dos mesmos
  • Água e comida para cerca de 6 horas de percurso no mínimo
  • Telemóvel ou rádio
  • Avisar alguém do percurso a realizar e hora prevista de regresso
  • Em caso de dificuldade nunca abandonar o canal da Levada
  • Máquina fotográfica - para mais tarde recordar
Levadas aconselhadas:
Caldeirão Verde
  • Caldeirão Verde
  • 25 Fontes
  • Rabaçal
  • Ribeiro Frio - Portela


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Maratona de Beirute 2011

Existem oportunidades ao longo da vida que ou se agarram quando surgem ou podemos passar o resto do tempo a lamentar-mo-nos por não as termos agarrado. 

Em tempos ocorreu-me tentar aproveitar a oportunidade de me encontrar no Líbano para participar na Maratona de Beirute de 2011. E porquê? Porque sou Maratonista? Não, nem nunca havia até à data sequer alinhado numa 1/2 Maratona. Então porquê? Simples, porque lá está a oportunidade afigurou-se e a ideia de participar numa corrida de 42Km numa cidade tão emblemática e ao mesmo tempo misteriosa como Beirute, me despertou os sentidos. Assim eis que este corredor ocasional de pequenas corridas de mero Jogging de manutenção, sem ter podido efectuar um treino minimamente digno de o poder ser considerado (não fiz uma única corrida de preparação superior a 1h ou a 15 Km), afectado por uma misteriosa e nunca antes revelada lesão nos joelhos (em particular no direito), alinha no passado dia 27 de Novembro 2011 à partida para os 42,195Km da maratona de Beirute.
O que restou? Restou que querer é poder, restou um tempo de prova de 4h48m, e restou uma prova de sacrifício provocado pelas violentas cãibras com que os músculos das minhas pernas me brindaram desde o km 24 e até à linha da meta... mas restou acima de tudo uma enorme satisfação por um projecto que parecia condenado à partida ter tido afinal um final feliz.

Em jeito de conclusão, aplica-se aqui um lema que me foi ensinado há já muito tempo, "só vence, quem acredita na vitória"

Nota curiosa: Ainda que tenha participado inserido na equipa da Unifil juntamente com mais sete Portugueses, era o único a alinhar na prova dos 42Km, pelo que se previa uma corrida de poucas conversas... no entanto eis que alguém, sensivelmente ao Km 15 me pergunta "você é Português?". O que se seguiu foram praticamente os restantes Km de prova em amena cavaqueira acompanhados da Domitilia uma Portuguesa radicada nos EUA, Maratonista por convicção com largas dezenas de provas já realizadas. Um abraço amigo Domitilia e que continue a correr!